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O poeta que se apaixonou pela contadora de histórias
Em frente?
Frente ao apego iminente, um desapego consciente Frente ao afeto procurado, os desafetos do passado. Frente ao sorriso carinhoso, um olhar desprentencioso. Frente a sensações inesperadas, algumas emoções resignadas.
Frente a ideia de viver amando, evitava morrer de amores.
Enfrente!
O apego era uma afronta e ameaçava sua consciência. Algo que desorganizava as ideias e limitava sua zona de conforto. Talvez fosse por isso que, mesmo quando o afeto se fazia presente, simples feito presente, insistia em buscar a perfeição inexistente nos assuntos do coração. O sorriso desprentencioso era sua defesa contra um olhar de carinho que fazia o tempo parar. Nesse momento, enchia-se de sensações inesperadas e não conseguia mais pairar sobre o tempo de emoções e sentimentos de resignação. Fez uma pausa. Teve uma ideia. Mas, ficou a dúvida: viver amando ou morrer de amores?
Escrito por Don às 19h24
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2h44 am
Ela queria ser a noite. Assustadora para os que vivem na escuridão, mas dormem com o abajur ligado. Encantadora para os olhos que brilham, porém estão cegos de paixão. Então, ela pensava como deve ser difícil ser a noite. Anotar pedidos feitos a cometas. Cobrir a lua com queijo. Desarmar santos e domesticar dragões. Inspirar gatos pardos que procuram salmão em latas de sardinhas. Ser o sustento de gatas abandonadas nas esquinas da vida. Mesmo assim, a ideia de ser como a noite a consumia. Ser o palco para romances recém despertados numa despretensiosa troca de olhares. Ou a apoteose trágica de cotidianos desgastados por expectativas exageradas. O que ela não sabia é que sempre fora como a noite. Assustadora com olhos brilhantes que cegam de paixão. Encantadora a ponto de desarmar santos e domesticar dragões. Boa noite. Linda noite.
Escrito por Don às 02h55
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Parte 1
Ele gostava da ficção. Coisas inventadas, fantasiadas. Nunca foi profeta, tampouco era poeta. Apenas um observador que via tudo do lado de fora. Jogava com as sensações alheias. Um cronista do sonho de outrem. Brincava com as palavras. Sentia-se seguro. Protegido por erros que outros cometiam. Livre do acaso. Escondido do inesperado. Em busca da certeza de uma vida cheia de incertezas. Uma noite se encontraram… Ela odiava fantasias. Gostava da realidade, seminua e provocante. Vivia antes, observava depois. Era movida a sensações. Guiada por suas emoções. Escrevia suas próprias histórias. Rasgava a folha e amassava. Na outra linha, parágrafo, travessão. Os sonhos duravam apenas a noite necessária para não serem esquecidos no dia seguinte. Colecionava medos. Escancarava o coração. Trocava por migalhas de carinho. Tinha fome amor. Outro dia se falaram… - Que tal ler um livro? - Prefiro escrever uma história. - Sobre você? - Sobre você. - Não seria uma história com um bom final. - Não será uma história se não tiver um começo. - Pensando num tema. - Eu tenho um, vem cá. Uma vez brigaram… - Por que tudo tem que ser tão programado para você? - Por que a vida precisa ser tão descontrolada para você? - Você deixa de viver hoje, pensando no amanhã. - E você vive como se fugisse do seu passado. - Você não conhece nada da minha história. - De novo essa história. Choro. Culpa. Silêncio na madrugada.
Escrito por Don às 17h54
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Parte 2
Ele escreve sobre ela. Lembra dos seus olhos. Sente seu perfume invadir o ambiente. Sala escura. Luz de vela. Melancolia na vitrola. Ele pensa nela. Tenta afastar a raiva. Procura por saídas. Todas trancadas. Respira. Expira. Mas não tem inspiração para nada. Fecha os olhos. Apaga a vela. Vai dormir. No papel, história parada no meio. Desencontros noturnos… Ela vira a página. Livro novo. Pão amanhecido. Chá gelado sem açúcar. Som ambiente. Luz artificial. Ela perde o foco. Tenta ter raiva. Nisso ele era bom. Mas ela é boa demais para isso. Ela sabe, ele tinha certezas. O vento entra sem permissão. Fecha o livro. Deixa cair o marcador. Vai ter que começar da primeira página. Houve um fim de tarde diferente… - Você está feliz? - Uma felicidade estranha. - Que incomoda? - Que comove. - Você está feliz? - Um felicidade fora dos meus planos. - Quer que eu vá? - Esse não é mais o plano. - Fico? - Fica. - Até o sol se por. - Até a lua se esconder. - Um dia você vai cansar de tudo isso. - Você não cansa de fugir da felicidade? - Um dia você vai lembrar desta tarde. - Um dia vou fazer você esquecer seus fantamas. Antes de cair, temos medo. Depois de cair, temos recordações.
Escrito por Don às 17h53
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Para o homem da areia
Sonhei em inglês. Acordei sem entender nada. Sonhei em claro. Acordei no meio da escuridão. Sonhei que você partia. Acordei com o coração partido. Sonhei que você me beijava. Acordei e não conseguia respirar. Sonhei que te esquecia. Acordei e não lembrava o que era o amor. Sonhei que te deixava. Acordei e não tinha para onde ir. Simplesmente sonhei. Quando acordei, era só fantasia.
Escrito por Don às 20h54
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Toda vez que eu me apaixono por você
Toda vez que me apaixono por você, deixo o coração pensar por mim. Vivo de impulsos. Porque toda vez que me apaixono por você, a vida pulsa rara. Arritmia de coração cansado que teima em bater depois de tanto apanhar. É assim que me apaixono por você. Muitas vezes. Todas as vezes. Toda vez que me apaixono por você, deixo escapar as palavras. Vivo páginas em branco. Porque toda vez que me apaixono por você, a vida não tem pressa. Paciência de poeta fingido que insiste dizer o que só precisa ser sentido. É assim que eu me apaixono por você. Em prosa. Verso a verso.
Escrito por Don às 15h07
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A vida entre o preceito do caos e o conceito da ordem.
Parte I - da calmaria das palavras surge o preceito do caos. O furor se faz em silêncio. Mente sem saída. Guerra não declarada. Vitória do fracassado. Lá vai ele na estrada. Passos descompassados. Respiração acelerada. Pulso sem sentido. Coração partido. Uma salva qualquer. Salve o soldado com seu fardo. Parte II - da tempestade do sentir surge o conceito da ordem. O olhar silência qualquer furor. Saída forçada da mente. Tratado de paz. Derrota mútua. Já vão eles pelo caminho. Passos opostos. Respiração molhada. Pulso cortado. Corações separados. Uma salva qualquer. E salve-se quem puder.
Escrito por Don às 19h42
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The Clown
Somos palhaços no circo da vida. Equilibramos sentimentos. Tropeçamos em ansiedades. Pintamos o rosto com a euforia da felicidade. E se no final, alguém sorrir, o palhaço vai para casa feliz, porque o espetáculo valeu a pena.
Escrito por Don às 20h11
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A escada falsa
Caminhar é um risco. Para frente, coisas boas ficam para trás. Para trás, nada é novidade. No mesmo lugar, tudo caminha, menos você. E de repente surge uma escada. O primeiro degrau, o segundo e algo inesperado surge à vista. Mas caminhar é um risco. Se olhar para cima pode tropeçar e cair. Se olhar para baixo pode ser acometido por uma vertigem. Dúvida. E é apenas o terceiro degrau.
Parar é um risco. Porque caminhos inacabados tiram o sono. Porque segredos depois da esquina nunca serão desvendados. No mesmo lugar, parado, você passa despercebido. E de repente surge uma escada. Nem o primeiro degrau, muito menos o segundo. Mas parar é um risco. Atrapalha a subida dos outros. Pode se ferir com a queda alheia. Dúvida. Isso porque você não foi a lugar nenhum.
Escrito por Don às 19h02
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O baú de Madeira
Ele sempre esteve lá. Móvel imóvel. Como uma caixa de Pandora pronta para ser aberta e confundir o mundo. O meu mundo. Ele sempre esteve lá. Trancado, esquecido no tempo. Com suas histórias empoeiradas. Acho que tenho alergia a pó. Ele sempre esteve lá. Silencioso, cheio de segredos. E pensar que ali deixei parte dos meus sonhos. Hoje, não consegui dormir. Ele sempre esteve lá. Sem cadeado, mas impossível de se abrir. Como uma herança que muda sua vida para sempre. Mas o sempre é muito tempo. Ele sempre esteve lá. Esperando pelo meu perdão. Como se a minha redenção dependesse dele. Não gosto de depender de ninguém. Hoje sei que ele sempre vai estar lá e que nunca vou me separar dele. Afinal sou parte dele e ele parte de mim.
Escrito por Don às 13h19
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Inside
Diferente hoje, desesperado amanhã e hipnotizado ontem. Criado mudo, falta a fala, sobram gestos, olhares, sussurros. Noite atrevida, embriagada e sacana. Revelações em desenhos sagrados, sangrados, eternos. Recomeço forçado, despedidas, reencontros. Jack, blonde, black, green em doses generosas. A verdade envelhecida, destilada, servida pura no copo com gelo. Alto teor melancólico, auto-estima alcoolizada, ressaca moral. Observações, reclamações, apenas recordações. Tudo muda o tempo todo ou todo o tempo muda tudo?
Outside
- Você está carente hoje? - Estou diferente hoje, estarei desesperado amanhã e estava hipnotizado ontem. Promete não dizer nada? - Sou um criado mudo, a mim me falta a fala, mas sobram gestos, olhares e sussurros. Olha quem chegou. - Será uma noite atrevida, embriagada e sacana. A combinação não é perfeita? - Suas revelações são desenhos sagrados, sangrados, eternos. - Eu já sabia. É o recomeço forçado, sem despedidas ou reencontros. - E ela, quem é? - Talvez Jack, quem sabe blonde, black, green. - Ela é linda. - Ela é a sua verdade, envelhecida, destilada e servida pura no copo com gelo. - Como uma música que nunca ouvimos, mas que soa conhecida. - Isso. Já a culpa é conseqüência do alto teor melancólico misturado com a auto-estima alcoolizada e com a eminente ressaca moral. - Estou ferrado. - Bem observado, mas desta vez sem reclamações, por favor, apenas recordações. - É, tudo muda o tempo todo. - Será, ou seria todo o tempo muda tudo?
Escrito por Don às 19h38
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Parágrafo travessão
A fragilidade dos seus atos te entregam, me seduzem, nos tiram de órbita. Eu dou às costas para o mundo e para toda a lógica que existe. Me retiro. Porém, a saída me devolve à origem de tudo. No início era o verbo e ele era intransitivo. Agora sou sujeito oculto, preposição, reticência.
Mas você nunca vai embora e assim o mal se perde, afungentado, sem graça e tímido.
Escrito por Don às 17h25
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Purgatório
Estou implorando pela sua volta Estou implorando pelo seu controle Estou implorando pelo seu descaso Estou rezando para ir embora Estou rezando para nunca mais voltar Estou rezando para não acreditar
Estou pedindo o impossível Estou pedinto para sofrer Estou pedindo para noite nunca acabar Estou de joelhos em busca de paz Estou de joelhos com falta de ar Estou de joelhos pela minha absolvição
Escrito por Don às 12h00
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Sentimento Granulado
Vontade insuportável de não sei o quê. Um incômodo que perdura pelas madrugadas frias da cidade santa. Cilada antiquada para afungentar medos milenares de deuses que não pertencem mais às nossas crendices. O homem, a mulher, o pecado, a dúvida, a fuga. Paradoxos de um teatro óbivo digno de dó. E quando as cortinas se fecham, todos voltam para casa sozinhos, com seus amores melancólicos e desesperados, que por fim voltam ao pó.
Escrito por Don às 18h05
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Franca expansão de sentimentos e pensamentos íntimos
Eu não vejo graça no conformismo. Também não sei nada sobre eufemismo. Eu não vejo graça na comodidade. E nunca é fácil digerir qualquer verdade. Eu não vejo graça na distância. Mas temo pela minha arrogância. Eu não vejo graça numa única dose. E pouco me abala ser essa metamorfose. Eu não vejo graça no amor sem paixão. Muito menos acredito na vitória da razão. Eu não vejo graça na sua partida. Então sua volta torna-se a minha única torcida.
Escrito por Don às 11h57
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